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Representantes de comunidades visitam as obras de requalificação do Museu Wanderley Pinho em Caboto (BA)

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Representantes das comunidades de Caboto, Ilha de Maré e Madeira conheceram, nesta quinta-feira (12/11), em detalhes, o projeto de restauro e requalificação do Museu Wanderley Pinho, em Caboto, município de Candeias (BA) que está sendo realizado pela Secretaria de Turismo (Setur) e pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), por meio da Prodetur Nacional Bahia. Eles foram recebidos pelos profissionais responsáveis pelas obras e conheceram tudo o que está sendo feito no complexo que inclui o casarão, a fábrica, o atracadouro e toda a área urbanística do museu.

 

Uma das pessoas mais ativas e que sempre acompanhou de perto todo o processo do local, Ernandes Carlos Lopes, disse que não é mais o representante oficial da comunidade de Ilha de Maré por conta da idade (77 anos), mas que toda a família e outras pessoas continuam na luta. “Nunca perdi uma reunião aqui, até quando ninguém mais da comunidade parecia acreditar que algo fosse feito no museu. Agora parece que estou sonhando acordado. Enquanto quilombola e lembrando de todo o sofrimento que nossos antepassados viveram, posso dizer que é um orgulho participar de um projeto desses que é fundamental, não somente para nós, mas para todo o Recôncavo”, disse.

 

A presidente da Associação Comunitária Amigos do Caboto, Fernanda Pita, disse que está muito feliz com o que viu e que é uma realização ver este projeto sair do papel. “Depois de muita luta, é com grande felicidade que vemos o que está sendo feito. Agora esperamos que nossa comunidade seja incluída num processo de qualificação para poder continuar trabalhando aqui e também estar preparada para o aumento do turismo em nossa região”, declarou.

 

Outra representante da comunidade de Caboto, Maria Antônia Borges Pereira, também estava muito feliz com o que viu durante a visita. “Fui crismada na capela, estudei aqui na 4ª série, meu marido nasceu aqui, ou seja, isso aqui é minha vida. O que estou vendo hoje é um sonho realizado. Agora é continuar no trabalho para que nossa comunidade tenha apoio para estar mais qualificada e ter mais oportunidades de trabalho quando o museu reabrir”.

 

Carlos Bispo da Silva, o “Oscar”, estava representando a comunidade de Madeira e também declarou que este projeto de restauro é uma vitória depois de muitos anos de luta. “Estas obras já estão trazendo benefícios para a região porque muita gente que está trabalhando é daqui. Esperamos que, com o museu aberto, estas oportunidades de trabalho continuem”.

 

“Compreendendo a importância de trabalhar de forma integrada com as comunidades do entorno do Museu do Recôncavo Wanderley Pinho. Foram realizadas, ao longo desses 15 anos, reuniões com moradores de Caboto, Passé e de Ilha de Maré com objetivo de estabelecer um diálogo com eles sobre as questões históricas, culturais e ambientais presentes no sítio histórico, onde está inserido o museu, assim como ouvir desses moradores o significado do museu, para eles. A participação da comunidade resultou na elaboração e execução de atividades socioculturais e educativas e também em reuniões convocadas pelo IPAC e pela Setur para que os moradores tivessem conhecimento do projeto de recuperação física do conjunto arquitetônico, do projeto expográfico e do plano museológico”, explicou Fátima Santos, da Diretoria de Museus do IPAC.

 

O projeto - As intervenções de restauração e recuperação do museu, que são executadas com recursos do Prodetur Nacional Bahia, através de financiamento do BID, no valor de R$ 27 milhões, fazem parte de um conjunto de obras que estão sendo realizadas no entorno da Baía de Todos-os-Santos, que resultará na requalificação do turismo náutico e cultural da maior baía do Brasil.

 

O projeto de recuperação contempla a urbanização e revitalização de toda a estrutura do antigo Engenho Freguesia (como era chamado o complexo), o que inclui a casa grande e a capela totalmente restauradas, além de guarita, vias internas de acesso, subestação de energia, estacionamento, paisagismo, fábrica e atracadouro com receptivo náutico que é para dar apoio a quem chegar no local através da Bahia de Todos os Santos.

 

João Carlos de Oliveira, diretor geral do IPAC, reforça que o museu será um importante atrativo cultural da Baía de Todos-os-Santos e destacou a evolução das obras do atracadouro como fundamental para se ter mais uma forma de acesso ao museu, e que será também um ambiente para realização de grandes eventos, o que tornará o equipamento autossustentável.

 

O Museu Wanderley Pinho é um importante equipamento cultural que conta a história da Bahia e do Brasil a partir do século XVI. Com um acervo de mais de 200 peças e achados arqueológicos que remetem ao ciclo do açúcar, o museu ocupa um casarão de quatro andares e 55 cômodos no antigo Engenho Freguesia, e inclui ainda uma capela. Tombado como patrimônio nacional pelo IPHAN, a construção possui grande importância arquitetônica e cultural, sendo administrado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC).

 


FOTOS: https://drive.google.com/drive/folders/1an55dAxtblnOC5KfiyWvalSZlx9UMyTM?usp=sharing