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Obra apresenta caminhos da escultura brasileira a partir de 1950

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Escultura Contemporâneas no Brasil – Reflexões em dez percursos será lançado no Palacete das Artes no próximo dia 19 de abril

 

O Palacete das Artes será o cenário escolhido para o lançamento do Escultura Contemporânea no Brasil – Reflexões em Dez Percursos, que acontece no próximo dia 19 de abril, a partir das 19 horas. A obra é resultado de três anos de intensa pesquisa do professor e curador carioca Marcelo Campos e será lançada pela Editora Caramurê. A publicação mapeia a produção escultórica brasileira a partir dos anos 1960 sob dez critérios temáticos.

 

A princípio a ideia era se fazer um livro com um pequeno grupo de escultores mas Campos, a partir de um primeiro levantamento, aceitou o desafio de trabalhar um contorno conceitual mais abrangente o que resultou em uma obra de fôlego, com suas 420 páginas e 300 ilustrações. “Não existe no Brasil uma obra com esse porte sobre o tema e só conseguimos realizar este projeto por conta da coragem e talento do Marcelo Campos” comenta o editor Fernando Oberlaender. O patrocínio é da Global Participações em Energia S.A. (GPE), através da Lei de Incentivo à Cultura do MinC.

 

“Decidi fazer uma pesquisa mais extensa, olhando para artistas e obras canônicas, trabalhos que estabeleceram ou consolidaram mudanças de paradigma”, explica o autor. “Percebi, nesse levantamento, vertentes conceituais que me chamaram a atenção e optei por essa configuração”, completa.

 

Ao todo foram 200 artistas listados num primeiro apanhado, dos quais Marcelo selecionou 91 escultores. Eles foram relacionados em dez capítulos-conceito, a partir do que o autor chama de “sintoma”: a reunião de “parentescos, células, lugares de encontro, onde a junção das poéticas as torna firmemente históricas”, ele define na introdução do livro.

 

A organização não segue um cronograma temporal, nem o critério que reúne artistas e obras em movimentos ou grupos. Campos buscou a ampliação do raio de busca para além dos eixos geográficos tradicionais da produção artística brasileira. O mapeamento desses artistas e de seus trabalhos se distribuiu nos temas do recorte curatorial. Esses conceitos estabelecem diálogo não só com a forma, mas com os olhares socioculturais, como na psicologia e na antropologia. E, dessa maneira, aprofundam-se na análise contextual dessa produção artística que se propõem a analisar.

 

Entre os temas, “Apropriação conceitual, imagéticas populares”, que apresenta um olhar da cultura, dos usos e saberes populares, “Paisagem, casa e jardim”, que faz uma ligação com a arquitetura e a paisagem, “Tecnologia, mídias, comunicação”, que a criação que se dedica às máquinas, ao movimento, a cinetismos de todo tipo e “A infância, o brinquedo”, a influência dos brinquedos, o lugar da infância com materiais plásticos extraviados, sujeitos ao toque, a cores, à acumulação, aos guardados pueris.

 

Campos inclui ainda no volume alguns dos escultores modernos, como Brennand e Felícia Leiner, em atividade nos anos 1950 nas vanguardas concretistas e neoconcretistas. “De certo modo, a inserção das esculturas de Felicia Leiner, por exemplo, demonstra as possíveis relações com trabalhos de Celeida Tostes e Ernesto Neto, conjugando algo da historiografia mais recente”, revela o autor.

 

Marcelo Campos é Professor Adjunto do Departamento de Teoria e História da Arte do Instituto de Artes da UERJ e Doutor em Artes Visuais pelo PPGAV da EBA/UFRJ. Atualmente, é diretor da Casa França-Brasil, no Rio de Janeiro.  Desenvolve estudos sobre arte, cultura brasileira, antropologia e identidade nacional. É autor de Um canto, dois sertões:  Bispo do Rosário e os 90 anos da Colônia Juliano Moreira (MBrac/Azougue Editorial, Rio de Janeiro, 2016); Emmanuel Nassar: engenharia cabocla (Museu de Arte Contemporânea de Niterói/MAC, Niterói, 2010).

 

 

Fernanda Matos - Jornalista e Produtora Cultural

Diretora e coordenadora de jornalismo 

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