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“O MAM-BA é peça-chave da atuação de Lina Bo Bardi na Bahia”, diz especialista do Paraná

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“O Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) é peça-chave do mosaico de características da atuação da arquiteta Lina Bo Bardi na Bahia, entre 1958 e 1963”. Com essas palavras o arquiteto, pesquisador e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Humberto Mezzadri (foto), define a importância da sua vinda à Salvador para visitar o MAM, localizado às margens da Baía de Todos os Santos, em Salvador. “Além da capital baiana, estamos fazendo uma longa viagem com um grupo de estudantes de arquitetura para percorrer toda a obra da Lina Bo Bardi no Brasil”, explica o professor Mezzadri.

 

O MAM é um equipamento público estadual e está sob responsabilidade do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) da Secretaria de Cultura (SecultBA). O pesquisador Humberto explica que já esteve no MAM em 2014, ano do centenário de Lina Bardi. “Com a reforma, já notamos algumas diferenças na área museográfica e no trato do espaço. Além disso, a exposição Templo de Oxalá conversa com o espaço da igreja, desenvolvendo reverência icônica às obras do mestre Valentim”, diz Mezzadri. O pesquisador fez questão de destacar o atendimento do MAM/IPAC. “A equipe de atendimento do museu é de uma gentileza única”, afirma.

 

PATRIMÔNIO do BRASIL – O diretor geral do IPAC, João Carlos de Oliveira, explica que o MAM tem projeto original da ítalo-brasileira Lina Bo (1914-1992) instalado no complexo arquitetônico que tem conformação de uma ‘quinta portuguesa’ do século XVII. “Este conjunto urbano é reconhecido oficialmente pelo IPHAN como Patrimônio Cultural do Brasil desde 1943”, relata o gestor estadual. Segundo ele, com as obras da Avenida Contorno, iniciadas em 1960 sob coordenação do arquiteto modernista baiano Diógenes Rebouças, o Unhão poderia ser destruído. “Rebouças conseguiu mudar o projeto para não danificar o Forte de São Paulo (século XVIII e tombado em 1938) e o Unhão, e Lina Bo atuou junto ao governo da época para salvar o complexo e reformá-lo como museu”, conta João Carlos. Na nova reforma, o IPAC tenta resgatar o projeto original de Lina para o MAM.

 

Composto por capela, casarão, salões expositivos, pátios, café, cinema, reserva técnica, parque das esculturas e áreas verdes, o MAM possui 5.455 m² de área construída e 10.047 m² de área total. Além de resgatar o projeto original de Lina, a reforma cria estrutura imprescindível para qualquer museu, como uma reserva técnica profissional, acessibilidade e subestação de energia.

 

INTERNACIONAL – Como é ponto turístico de visitação internacional, o MAM é um dos locais mais procurados para registros de vídeo, filmagens e fotos. “É um espaço de uso público que recebe mais de 200 solicitações para gravações de TV e produções fotográficas a cada ano; assim como outros museus e espaços do Instituto em Salvador”, afirma o assessor de Comunicação do IPAC, Geraldo Moniz. Ele ressalta que o IPAC, com 50 anos de criado, detém capacitação técnica para avaliar gravações que ocorram nos seus prédios.

 

“Entre os anos de 2009 a 2010 agendávamos cerca de 40 liberações semanais e 160 por mês”, explica Dércio Moreira, administrador do MAM. Gravações/fotos no MAM passam por análise prévia. Interessados solicitam formulário e o devolve preenchido (agendafotosmam@gmail.com). Confira as exposições e atividades no facebook: ‘Museu de Arte Moderna da Bahia’. Conheça os museu do IPAC: www.ipac.ba.gov.br/museus. Assista vídeo: http://goo.gl/Hjxtkc. Acesse: www.ipac.ba.gov.br, facebook ‘Ipacba Patrimônio’, twitter ‘@ipac_ba’ e instagram ‘@ipac.patrimonio’.

 

Box opcional 1 – HISTÓRIA MAM/UNHÃO – O conjunto do Unhão foi construído ao longo de três séculos (XVII, XVIII e XIX). Embora situado praticamente dentro da cidade, esse conjunto era um complexo agroindustrial do mesmo gênero dos engenhos de açúcar, com casa grande, capela e senzala. Seu extenso cais e armazéns fazem supor que sua função fosse a de recolher e exportar a produção de engenhos do Recôncavo. O inventário do Visconde da Torre de Garcia D’Ávila refere-se a um grande alambique ainda funcionando em 1853, provavelmente com o mel enviado do Recôncavo. Até aquela época o solar só possuía dois pavimentos e “água furtada em ambas as frentes com três janelas e duas nos lados laterais”. Sua distribuição funcional segue o esquema vigente em todo o período colonial: térreo, utilizado como serviço; 1º andar, ocupado pela família; água furtada, utilizada como dormitório de criados. A planta da capela (1794) é típica das igrejas matrizes e de irmandade do começo do século XVIII, apresentando, porém, uma particularidade: nave e capela-mor da mesma largura e altura. Sua fachada rococó tardio deve ser do século XIX. Terminações das torres inspiradas nas coberturas à Mansard, semelhante às das igrejas de N. S. do Pilar e Convento do Carmo. (FONTE: Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia – IPAC).

 

CRONOLOGIA

1584 – Gabriel Soares de Souza doa, por testamento, aos Beneditinos, o terreno em que se encontra a fonte que perpetuou o seu nome;

1690 – Residia aí o desembargador Pedro de Unhão Castelo Branco.

Em princípios de 1700 foi comprado por José Pires de Carvalho e Albuquerque, o velho, que estabeleceu morgado;

1740 – 1ª referência à capela – batizado de uma neta do proprietário;

1757 – O Pe. Manuel de Lima (da Vitória) descreve a capela com fachada para o poente;

1759 – Salvador Pires de Carvalho e Albuquerque sucede o pai (José) na posse do morgado. Passa a seguir, a seu filho José Pires de Carvalho Albuquerque (o II), e deste para o sobrinho e genro, de igual nome, Secretário de Estado, a quem Vilhena se refere;

1787 – Vistoria da Câmara a uma vala que deveria lançar suas águas no aqueduto que atravessava a fazenda Unhão;

1794 – A igreja é reedificada. No começo do séc. XIX, a propriedade pertencia a Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, Visconde da T. de Garcia D’Ávila;

1816 – O suíço Meuron instala fábrica de rapé, que funciona até 1926;

1853 – Morto o Visconde, passa à sua filha casada com Antônio Muniz Barreto de Aragão;

1880 – Ainda se rezava missa na capela;

1917 – É vendida a Clemente Pinto de Oliveira Mendes;

1928 – Passa a Valeriano Porfiro de Souza, que a transformou no trapiche Sta. Luzia. Seus descendentes venderiam depois para o Estado.

Restaurações e intervenções realizadas:

1946 – Obras de estabilização, conservação e limpeza;

1959 – O Governo do Estado decide construir a Avenida de Contorno, ligando os bairros do Comércio e Barra. O IPHAN promove vistoria no local e adverte sobre os perigos para o conjunto;

1960 – São iniciadas as obras da Avenida do Contorno, cujo projeto previa uma das pistas passando entre o solar e a capela e a outra destruindo o aqueduto e fonte, o que provoca reação da imprensa. Arq. Diógenes Rebouças propõe um traçado alternativo da avenida, ligando o Comércio ao Vale do Canela, que não interferia no solar;

1962/63 – O conjunto é restaurado pelo Gov. do Estado, para sede do M. de Arte Popular da Bahia, sendo o projeto elaborado pela arq. Lina Bo Bardi e aprovado pelo IPHAN. Nesta oportunidade, foi criada escada helicoidal de ligação do 1º com o 2º andar, obra de notável desenho contemporâneo. Na igreja e em alguns pavilhões foi substituído o reboco por “chapiscado”, então em voga, por influência do Brutalismo.

 

Fotos em BAIXA resolução ANEXAS.

Crédito obrigatório Fotos anexas – Lei nº 9610/98:

 

Assessoria de Comunicação – IPAC, em 14.09.2016

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