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Integrantes do Afoxé Filhos de Gandhy são personagens de exposição fotográfica de Christian Cravo

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Na semana que antecede o Carnaval, Salvador recebe uma exposição fotográfica e o lançamento de um livro que têm como tema um dos mais importantes ícones da cultura carnavalesca baiana, com fotos de um nome de peso das artes visuais. Trata-se da mostra Filhos de Gandhy por Christian Cravo, que terá vernissage no dia 19 de fevereiro, às 19h na Sala Mario Cravo Júnior do Palacete das Artes – espaço administrado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC/SecultBA) – e segue em cartaz até 31 de março.

Mais do que uma experiência visual, a exposição também se propõe a estimular outros sentidos, com a trilha sonora marcada pelos instrumentos de percussão específicos do ijexá, ritmo que cadencia o desfile do afoxé, e o inconfundível aroma da alfazema espalhado pelo cortejo da paz na avenida. Na mesma noite, o artista estará assinando o livro que deu origem à exposição, com 100 fotos individuais de integrantes do Gandhy, registradas nos três últimos carnavais. Coincidentemente, a exposição será inaugurada um dia depois que o Afoxé Filhos de Gandhy completa 70 anos.

A exposição é uma realização da produtora Janela do Mundo em parceria com a Hasta La Luna e conta com o patrocínio da Bahiagas e do Governo do Estado através do Fazcultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, da Caixa e do Governo Federal e apoio da Avatim e Palacete das Artes, órgão vinculado ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC)/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA). O livro é lançado também com apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Fundação Cultural do Estado, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

A gênese – O projeto Filhos de Gandhy por Christian Cravo é resultado de três anos de trabalho do artista, e nasceu de seu desejo de dar nome a um personagem que sempre foi tido como uma massa, como o famoso ‘tapete branco’. “O que busquei foi dar uma identidade aos personagens retratados, um rosto, uma idade, uma profissão”, explicou. “Nunca tive relação próxima com os Filhos de Gandhy, mas a minha vontade de fotografar o grupo se deu pelo histórico do meu trabalho, muito voltado para a antropologia visual. Sempre me interessei por temáticas de expressão artística, cultural e religiosa de personagens ao redor do mundo”, disse Christian.

A grande ‘co-autora’ do projeto foi Adriana, mulher do artista, que o instigou a mergulhar nele quando ainda moravam em São Paulo. Mas ele contou também com a ajuda valiosa de Xiko Lima, à época presidente do Gandhy, que abraçou a causa e ajudou de todas as formas possíveis. “A exposição e livro de Christian Cravo é mais uma oportunidade de mostrar através da sensibilidade do fotógrafo o público que referenda a nossa missão: diversificado, de todos os credos, condições sociais e raças”, declara Xiko.

A escolha – “Pra escolher os personagens a gente ia para as reuniões do Gandhy, pra Lavagem do Bonfim, para todas essas festas que eles participam, e fazia a ficha, fotografava o personagem e no Carnaval entrava em contato para eles serem fotografados para o livro”, conta Christian. Na sede do Filhos de Gandhy no Pelourinho, foram fotografados cerca de 500 personagens, dos quais 100 foram selecionados para o livro e, destes, 52 para a exposição. As cinco fotos que dão as boas vindas aos visitantes na entrada da sala são de instrumentos usados no cortejo e de elementos ritualísticos. Trinta e uma fotografias terão como suporte flâmulas de tecido branco medindo 6m x 1,20m, remetendo aos panos que dão forma à fantasia do bloco. As outras 26 imagens, com moldura flutuante, têm dimensões que variam entre 1,25m x 0,90m, nas fotos verticais, e 1,20 m x 1,70m, nas horizontais.

Na seleção das fotos, teve peso importante a estética visual. “O que eu estava buscando era uma estética que traduzisse o espírito do Gandhy. Assim, procurei símbolos que tivessem a ver com a negritude, pessoas que tivessem atitude e cultura negras”, detalha o artista. Ele conta que também buscou a questão das gerações, fotografando pais e filhos, avós e netos, para traduzir a longevidade do Gandhy. Também procurou fotografar pessoas com acessibilidade prejudicada, cadeirantes e deficientes visuais, entre outros. “São minoria, mas isso é uma simbologia, representa essa cultura de que todo mundo participa, todo mundo é abraçado pelo bloco”.

Sobre Christian Cravo – Nascido no dia 13 de agosto de 1974, de mãe dinamarquesa e pai brasileiro, Christian Cravo foi introduzido e criado no ambiente artístico, em Salvador, no estado da Bahia, mas só começou suas experiências com a técnica fotográfica aos 11 anos, enquanto morava na Dinamarca, lugar onde passou toda a adolescência. Em 1991, então com 17 anos, Christian voltou ao Brasil para conhecer melhor e experimentar a vida no ambiente artístico criado por seu avô e por seu pai.

Ao longo dos últimos 25 anos, Christian teve seu trabalho exposto em importantes instituições, como Museu de Arte Moderna da Bahia (Salvador); Ministério da Cultura (Brasília); Instituto Tomie Ohtake (São Paulo); Museu Afro Brasil (São Paulo) e Museu da Fotografia (Fortaleza). Recebeu prêmios do Museu de Arte Moderna da Bahia e do Mother Jones International Fund for Documentary Photography, além de bolsas de pesquisa da Fundação Vitae e da Fundação John Simon Guggenheim, para sua pesquisa sobre a água e a fé. Em 2016, foi premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como melhor exposição fotográfica de 2015.

Seu primeiro livro, Irredentos, foi publicado em 2000. E em 2005, publicou o segundo, Roma noire, villemétisse, em Paris, pela editora Autrement. Outros livros de sua autoria: Nos Jardins do Éden (2010); Exu Iluminado (2012); Christian Cravo (2014), editado pela editora Cosac & Naify; Mariana e Luz e sombra, ambos de 2016, editados pelo seu próprio selo, Estúdio Apuena Ltda.

FAZCULTURA – Parceria entre a SecultBA e a Secretaria da Fazenda (Sefaz), o mecanismo integra o Sistema Estadual de Fomento à Cultura, composto também pelo Fundo de Cultura da Bahia (FCBA). O objetivo é promover ações de patrocínio cultural por meio de renúncia fiscal, contribuindo para estimular o desenvolvimento cultural da Bahia, ao tempo em que possibilita às empresas patrocinadoras associar sua imagem diretamente às ações culturais que considerem mais adequadas, levando em consideração que esse tipo de patrocínio conta atualmente com um expressivo apoio da opinião pública.

Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais. Para mais informações, acesse: www.cultura.ba.gov.br

Ficha técnica
Concepção: Adriana Cravo e Christian Cravo
Fotografias: Christian Cravo
Curadoria: Adriana Cravo e Christian Cravo
Produção executiva: Claudia Lima
Expografia: Alessandro Vital e Christian Cravo
Coordenação de produção: Mariana Vaz
Produção: Adriana Lima e Bia Santos
Design Gráfico: Carlos Luiz
Comunicação: Karlene Rios
Trilha Sonora: Alê Siqueira e Gabi Guedes
Sonorização: Humberto Curujito
Músico: Gabi Guedes
Iluminação: Larissa Lacerda
Montagem: Roberto Feitoza e Tayrone Fontan
Realização: Janela do Mundo
Coprodução: Hasta La Luna

Serviço

Abertura da exposição e lançamento do livro Filhos de Gandhy por Christian Cravo
Quem: fotógrafo e artista Christian Cravo
Quando: abertura da exposição e lançamento do livro dia 19 de fevereiro às 19h | Visitação aberta ao público de 20 de fevereiro a 31 de março, de terça a sexta, das 13h às 19h, sábados, domingos e feriados (exceto Carnaval), das 14h às 18h | 71 3117-6987
Onde: Palacete das Artes (Rua da Graça, 284) – Sala Mário Cravo Júnior

Quanto: Livro: R$ 50,00 | Visita à exposição: gratuita