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Estado inicia novas restaurações e reformas no Centro Histórico de Salvador e interior da Bahia

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Em sete anos – 2007 a 2013 – o Estado já investiu, somente via Secult-BA/IPAC, mais de R$ 100 milhões em benefício direto dos patrimônios culturais da Bahia

 

O Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura (Secult-BA) e Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), inicia a partir desta quarta-feira, dia 3 (julho, 2013), quando será assinada, às 9h00, ordens de serviço pelo governador Jaques Wagner, novas restaurações e reformas em prédios do Centro Histórico de Salvador (CHS) e cidades do interior.

Nessas ordens de serviço estão sendo investidos o total de R$ 18,9 milhões que beneficiarão a reforma do complexo arquitetônico do Solar do Unhão, onde está o Museu de Arte Moderna (MAM), administrado pela Secult-BA/IPAC, a iluminação cenotécnica de mais quatro monumentos do CHS, do total de 22 que serão iluminados até 2014, a segunda etapa de restauração da igreja e cemitério do Pilar, e as obras no Palácio Episcopal e Catedral de São Francisco no município de Barra, no oeste baiano.

 

R$ 100 MILHÕES – De 2007 a 2013, o Estado já coordenou via Secult-BA/IPAC o investimento de mais de R$ 100 milhões que beneficiou diretamente os patrimônios culturais – materiais e imateriais – baianos, incluindo os museus estaduais. Essas obras são complementadas por outras do governo estadual, coordenadas por órgãos e secretarias (Conder, secretarias do Desenvolvimento Urbano e Turismo) responsáveis por grandes intervenções como viadutos e complexos viários na Av. Paralela, a Via Expressa, dentre outras que atingem a cifra dos milhões investidos em Salvador.

“Já entregamos as obras do programa federal Monumenta que totalizaram R$ 38 milhões investidos em Lençóis, Cachoeira e São Félix, mais R$ 21,3 milhões do Prodetur na restauração de cinco monumentos no Centro Histórico da capital, como o Palácio Rio Branco e a Igreja do Rosário dos Pretos”, relata o secretário de Cultura do Estado, Albino Rubim.

O secretário informa que também via Secult-BA/IPAC estão sendo investidos R$ 8 milhões para o projeto de iluminação cênica de 22 monumentos, em andamento, R$ 1,2 milhão para 305 luminárias coloniais já instaladas e R$ 4,7 milhões para o Palco Articulado do Pelourinho, a ser entregue até final de 2014. A Secult-BA/IPAC estará licitando ainda neste segundo semestre de 2013 as obras de requalificação dos largos Tereza Baptista, Pedro Arcanjo e Quincas Berro D’Água, todos localizados no Pelourinho. Os projetos foram selecionados no ano passado (2012) num concurso nacional de ideias (http://www.iab-ba.org.br/concursolargospelourinho/) via parceria entre o IPAC e o departamento baiano do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-BA).

 

MAM – O museu projetado pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (Roma 1914, São Paulo 1992) instalado na quinta em estilo português colonial do Solar do Unhão, originária do século XVII e localizada às margens da Baía de Todos os Santos, passará por sua mais importante reforma, desde a década de 1960, quando foi criado. “Essas importantes obras no MAM integram as ações de valorização do patrimônio histórico e artístico do Centro Antigo de Salvador que o Governo do Estado vem realizando desde 2007”, diz Mendonça. O dirigente estadual explica que o prazo para as obras no MAM é de 12 meses, a partir do início da obra, com investimento aproximado de R$ 15,6 milhões do Tesouro estadual.

“Faremos intervenções no casarão, galpão, cinema, oficinas, capela e no Parque das Esculturas, que é um museu a céu aberto, com projeto de autoria da renomada arquiteta paulista Rosa Grena Kliass, onde estão as galerias sob os arcos da Avenida Contorno, a Galeria Rubem Valentim e a passarela em madeira à beira-mar”, descreve o diretor do IPAC. Ele diz que é uma grande obra que atingirá os 5,5 mil m² da área total do MAM.

O MAM receberá ainda reinstalação completa das redes elétrica, hidrosanitária, telefônica, lógica e acústica. Serão implantados novos sanitários, vestiários e refeitório para os funcionários. As áreas externas terão tratamento especial e o atual café será requalificado. O diretor do IPAC ressalta a importância do complexo arquitetônico que é tombado como Patrimônio do Brasil pelo IPHAN (Processo nº 279-T-43).

 

ILUMINAÇÃO CÊNICA – Nesta etapa serão iluminados agora mais quatro monumentos do CHS com recursos estaduais de R$ 1,05 milhão beneficiando as igrejas do Carmo, Boqueirão e Santo Antônio, além do Oratório da Cruz do Pascoal, com previsão de quatro meses de obras.

“Em dezembro do ano passado (2012) o governador Jaques Wagner entregou a iluminação de cinco monumentos no Terreiro de Jesus e já estamos executando a licitação para mais outros nove que estarão prontos para a Copa de 2014”, garante o diretor de Projetos e Obras do IPAC, Paulo Canuto.

Na primeira etapa (Terreiro de Jesus) beneficiaram-se a Catedral Basílica (179 luminárias), Faculdade de Medicina – a primeira do Brasil – (87 luminárias), as igrejas de São Domingos (69), de São Pedro dos Clérigos (65) e a de São Francisco – famosa por ter cobertura interna com lâminas de ouro – (199 luminárias).

“O objetivo é ressaltar as linhas e estilos arquitetônicos das construções seculares, incorporando sombras e texturas como elementos de composição e contraste, para um impacto cênico ainda maior para quem visita o Pelourinho à noite”, revela o arquiteto fiscal da intervenção no IPAC, Adolfo Roriz. O projeto cria oportunidade de visualização ampla e moderna, desde o nível das ruas até os pontos mais elevados, onde a iluminação pública não é capaz de proporcionar luz.

O projeto de iluminação do IPAC segue para os bairros do Carmo, Saúde e Santo Antônio. A Ordem Terceira de São Francisco, as igrejas de São Miguel e Saúde, o prédio do Arcebispado e o edifício da Coelba, na Praça da Sé, são alguns dos monumentos a serem beneficiados até a Copa 2014. No Pelourinho receberão iluminação a igreja do Rosário dos Pretos, Casa do Benin, Fundação Casa de Jorge Amado, Museu da Cidade e Centro Cultural Solar Ferrão, este último imóvel originário do século XVII e administrado pelo IPAC, através da sua Diretoria de Museus (Dimus).

 

LAMPIÕES COLONIAIS – O IPAC já havia implantado extensa iluminação nas ruas e travessas do Pelourinho. Em 2009, implantaram-se 305 luminárias em estilo ‘Caiscais’ – remetendo ao colonial – na grande extensão de ruas entre a Ladeira da Praça e o Largo do Carmo, com investimento de R$ 1,2 milhão do Tesouro Estadual. Esses lampiões têm mais durabilidade, baixo custos de manutenção e projeção de luz com alcance de 25 metros que garante iluminação para todos os pontos das ruas.

O planejamento da ação tem partido do Escritório de Referência do Centro Antigo de Salvador (Ercas), instância criada pelo governador Jaques Wagner para articular ações entre sociedade civil, órgãos e secretarias da prefeitura municipal, governos estadual e federal, com participação da UNESCO para a requalificação dessa região da capital baiana.

 

IGREJA DO PILAR – Outra das ordens de serviço assinada pelo governador Jaques Wagner será para a segunda etapa de restauração do complexo arquitetônico-religioso do Pilar ao custo de 1,8 milhão do governo estadual e prazo de seis meses para as obras. Será restaurada a casa paroquial e o cemitério. “Vamos recuperar revestimentos, pavimentação, esquadrias, ferragens, forros, pintura e vidros”, comenta Paulo Canuto. Serão restaurados ainda os bens móveis e integrados ao monumento, assim como, reimplantadas as instalações elétricas e hidrossanitárias.

Foi a Secult-BA via IPAC que fez a primeira etapa de restauração cujas obras foram inauguradas em abril do ano passado (2012). “Esta foi a obra de recuperação mais importante já realizada nesta igreja e seu cemitério desde a década de 1960”, afirma o diretor de Projetos e Obras do IPAC, Paulo Canuto. Os prédios já se encontravam em processo de ruína.

Para se iniciar as obras de restauração foram realizados serviços de engenharia e limpeza, retirando 2,5 mil toneladas de lixo e entulho do cemitério que estava soterrado. Foi realizada a estabilização da encosta da ladeira do Pilar e alvenaria de contenção de 500 metros de comprimento para proteger o monumento, reforma do teto do templo e substituição de peças de madeira por metálicas.

O complexo arquitetônico do Pilar está localizado no bairro do Comércio, em Salvador, e foi construído em meados do século XVII, na base da falha geológica de cerca de 70 metros de altura que divide as cidades Alta e Baixa, na capital baiana. O conjunto arquitetônico tem na sua composição elementos do barroco, rococó e neoclássico, e é tombado desde 1938 como Monumento Nacional pelo Iphan, órgão que realiza a fiscalização e tem a tutela sobre o imóvel.

O cemitério é em estilo neoclássico e tem fachada de 20 colunas de sete metros de altura, cada uma. A igreja tem portal e janelas em pedra de lioz talhadas em Lisboa, teto pintado por José Teófilo de Jesus (1837) e paredes internas com azulejos do século 18 (1750/60) de diferentes oficinas portuguesas. Da imaginária, destaca-se a de Santa Luzia, do século 18.

Incluíram-se novas telhas brancas matizadas, proteção para o forro artístico, novo telhado para o cemitério com telhas metálicas trapezoidal, recuperação do revestimento interno e externo e recuperação das esquadrias de madeira e de ferro. Foram recuperadas instalações hidráulica e elétrica, balaústres, elementos decorativos em argamassa, restauração de cantarias nas fachadas e escadas em lioz (pedras portuguesas), além de reassentamento dos gradis do adro.

 

MUNICÍPIO DE BARRA – No interior, as ordens de serviço assinadas pelo governador neste dia 3 (julho, 2013), incluem-se ainda os serviços e obras de manutenção no Palácio Episcopal Cristo Rei e Catedral de São Francisco das Chagas, na cidade de Barra, localizada na ligação do Rio Grande e do Rio São Francisco no oeste da Bahia. A previsão é que os trabalhos durem três meses com recursos estaduais da ordem de R$ 443,6 mil.

“Realizaremos melhorias dos revestimentos, pinturas de paredes, recuperação de coberturas e esquadrias do Palácio Episcopal Cristo Rei”, destaca o diretor de Obras do IPAC, Paulo Canuto. Os serviços beneficiarão alojamentos, refeitório, cozinha, capela, residência episcopal e cúria diocesana, assim como, a Catedral de São Francisco das Chagas.

As edificações beneficiadas detêm notável mérito arquitetônico, com características dos meados do século XIX, e estão localizados na Praça Barão de Cotegipe, na cidade de Barra. A Catedral possui tratamento neoclássico enquanto que o Palácio Episcopal, componente do Centro Diocesano de Formação D. João Muniz, apresenta-se como edifício eclético. A área total de abrangência dessa intervenção é de aproximadamente 2 mil m².

No interior a Secult-BA/IPAC beneficia dezenas de construções antigas via Fundo de Cultura e Editais de Patrimônio Cultural, além de vistorias e orientações técnicas à prefeituras municipais.

Na Chapada Diamantina, região central da Bahia, também estão sendo realizadas obras de restauração onde foram descobertas pinturas originais do século XVIII de dois altares da igreja matriz de Bom Jesus de Piatã. “São duas peças entalhadas em madeira umburana, com 17 m², sendo 6,5 cm de altura por 2,65 cm de largura, que têm mérito excepcional pela originalidade”, explica a coordenadora de Restauro de Elementos Artísticos do IPAC, Milena Tavares.

A igreja de Piatã está sob tombamento provisório pelo Estado e por isso a atuação do IPAC/Secult em parceria com a Paróquia local. “O IPAC disponibiliza mão-de-obra especializada, material artístico, equipamentos de segurança e formação de ateliê, enquanto a Paróquia cedeu madeiras e logística local”, comenta a coordenadora do IPAC. Segundo a subgerente de Restauro, Káthia Berbert, os altares têm características em estilo ‘barroco popular’, bem raro no Brasil. “Os elementos são diferentes dos existentes nas igrejas barrocas do país, a exemplo da Igreja do São Francisco, que tem barroco monumental”, diz Berbert.

Dados sobre projetos, programas e obras do IPAC, além da relação dos bens culturais tombados e registrados na Bahia são encontrados no site www.ipac.ba.gov.br. Fique informado também pelo facebook Ipacba Patrimônio e Twitter @ipac_ba.

 

BOXES OPCIONAIS/COMPLEMENTARES:

 

MAM – O Solar do Unhão foi construído no século XVII em terras pertencentes a Gabriel Soares, doadas por testamento aos Beneditinos no séc. XVI. Em 1690, residia o Desembargador Pedro de Unhão Castelo Branco. No início do séc. XVIII, o Solar foi vendido a José Pires de Carvalho e Albuquerque, que estabeleceu morgado (propriedade que não pode ser vendida, sendo herdada pelo primogênito). Por volta de 1740, surgem as primeiras notí¬cias sobre a construção da Capela do Solar. No mesmo século, a casa recebeu feições mais requintadas, sendo instalados o chafariz e os painéis de azulejo portugueses no passadiço que dá acesso ao pavimento nobre do Casarão. A Capela é reedificada e consagrada à Nossa Senhora da Conceição. Ao final do século XVIII, a fazenda do Unhão passa a ser conhecida como Solar do Unhão. No início do séc. XIX, o Solar foi arrendado, iniciando a partir daí¬ um processo crescente de degradação do conjunto, com a instalação sucessiva de fábricas, incluindo uma de rapé, que funcionou até 1926. Já ao final da década de 40, produziu derivados de cacau e manufaturas diversas, sediou oficinas e foi transformado em trapiche, depósitos de combustíveis e mais tarde, durante a 2ª Guerra Mundial, em quartel para os fuzileiros navais. Em 1943, o Solar foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), sendo depois, no início da década de 60, adquirido e restaurado pelo Governo do Estado da Bahia, com projeto arquitetônico de Lina Bo Bardi, para instalar o Museu de Arte e Tradições Populares. A partir de 1963, passa a sediar o Museu de Arte Moderna da Bahia, que já vinha movimentando a cultura baiana desde a sua inauguração em 1960, no foyer do Teatro Castro Alves.

 

PILAR – Construída no século XVIII pela comunidade espanhola, em homenagem a Nª Sra. do Pilar, padroeira da Espanha. Sua popularidade aumentou quando passou a abrigar a estátua de Santa Luzia, no final do século XIX. Até a construção da igreja, as águas que brotavam da encosta (minadouro) foram canalizadas para abastecimento de naus e caravelas do porto da cidade. Incorporada à construção da igreja, foi transformada em fonte (Fonte de Santa Luzia) considerada como milagrosa. A Igreja é tombada individualmente pelo IPHAN como Patrimônio do Brasil (Processo nº 122-.T-38).

 

CENTRO HISTÓRICO – Pela Constituição de 1988 e as legislações estaduais e municipais vigentes, o Centro Histórico de Salvador é uma responsabilidade administrativa da Prefeitura de Salvador, com ações de ordenamento e uso do solo, liberação de obras, trânsito de veículos, iluminação e limpeza pública, dentre outras. A área tem tutela federal via Iphan/MinC pois é tombada como Patrimônio do Brasil. Já o Governo do Estado tem ações estruturantes e pontuais na área.

 

PIATà– A igreja matriz de Piatã é originária do século XVIII (1730). O desenho da edificação com paredes e portais em pedras lavradas é originário do século XVII. O tipo de fachada foi introduzido no país pelos jesuítas nos primeiros anos de colonização. Os altares laterais, sob arcos, são heranças da tradição jesuítica luso-brasileira de capelas laterais à nave. Já a cidade está encravada num planalto, entre vales formados pelas serras da Tromba e de Santana. Piatã é o mais antigo povoado da Chapada, conhecida anteriormente sob nome de Bom Jesus de Limões, a partir do expansionismo minerador do século XVII, no caminho aberto por Pedro Barbosa Leal em 1725 e que ligava Rio de Contas a Jacobina. Outras informações sobre os trabalhos de restauração em Piatã são disponibilizadas pela Cores/IPAC, via telefone (71) 3117-6387 e endereço eletrônico cores.ipac@ipac.ba.gov.br.

 

Assessoria de Comunicação – IPAC – em 28.06.2013

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