IPAC - Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia

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Estado anuncia restauração de painéis modernistas

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Nove painéis criados por artistas modernistas na Bahia entre o final da década de 1940 e a década de 1950, alguns com até 20 metros de comprimento, serão restaurados pelo Governo do Estado no Centro Educacional Carneiro Ribeiro, mais conhecido como Escola Parque, em Salvador.

O anúncio será feito amanhã (04/10), quinta-feira, às 9h, pelos secretários da Educação (SEC), Osvaldo Barreto, e de Cultura (Secult), Albino Rubim, na Escola Parque, localizada na Rua Saldanha Marinho, nº 134, bairro da Caixa D’Água, na capital baiana. No evento será inaugurado o Memorial Anísio Teixeira com documentos, fotos, jornais, livros e registros contando a história da unidade escolar que completa 62 anos. A iniciativa é do projeto Memória da Escola da SEC. 

O complexo Escola Parque é administrado pela Secretaria de Educação do Estado (SEC) e é tombado como ‘Patrimônio Cultural da Bahia’ desde 1981 pelo seu mérito histórico, arquitetônico-urbanístico e por unir educação, ciência, cultura e artes em um só espaço e proposta educacional. Os painéis são de artistas considerados ícones do modernismo na Bahia e no Brasil, como Carybé, Mário Cravo Júnior, Maria Celia Amado, Carlos Mangano, Jenner Augusto, Carlos Bastos e Djanira Motta e Silva. 

A restauração das pinturas acontece via parceria entre SEC e Secult e ficará sob responsabilidade de equipe multidisciplinar do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), composta por artistas plásticos, museólogos, arquitetos, restauradores, historiadores, fotógrafos, marceneiros e pedreiros. Além de recuperar as obras de arte, serão realizadas atividades de Educação Patrimonial com produção de videodocumentário e cartilhas em quadrinhos a serem distribuídas em sala de aula e um projeto de visitas guiadas durante as intervenções de restauro. O investimento totaliza R$ 1,2 milhões do Tesouro estadual. 

“Depois de reformar os prédios, investimos agora na restauração das obras de arte que compõem o projeto de educação integral, idealizado pelo educador baiano Anísio Teixeira”, afirma o secretário Osvaldo Barreto, ressaltando que o projeto de preservar a arte, a cultura e a memória das escolas da rede estadual contribui para contar a história da educação baiana. “A Escola Parque, com projeto arquitetônico do baiano Diógenes Rebouças é um dos mais significativos exemplos da relação entre paisagem, arquitetura e pinturas modernistas na Bahia”, explica o secretário Albino Rubim.

A equipe multidisciplinar do IPAC realizará serviços de recuperação estética com remoção de sujidades, consolidação de bases e camadas pictóricas, nivelamento de lacunas, reintegração cromática, imunização, reforço estrutural, substituição de áreas danificadas dos suportes em madeira e aplicação de camada protetora. A restauração se baseará em critérios nacionais e internacionais.

A Escola Parque foi idealizada por Anísio que no final da década de 1940 colocou em prática parte de sua concepção para educação pública. Anísio propôs tempo integral na escola, com variadas atividades e em 1950 inaugurou-se o Centro Popular, depois Centro Educacional Carneiro Ribeiro e atual Escola Parque.

 Fotos em ALTA DEFINIÇÃO: http://flic.kr/s/aHsjCkbKKH - Crédito Fotográfico obrigatório: Lei nº 9610/98

Site SEC: http://www.educacao.ba.gov.br/node/3752

 BOXES opcionais:

 Biografia Artistas

 Carybé - Pintor, gravador, desenhista, ilustrador, mosaicista, ceramista, entalhador e muralista, Hector Júlio Páride Bernabó nasceu em Lanús, Argentina, em 7.02.1911. O nome Carybé foi adotado após passagem pelo grupo de escoteiros do Clube do Flamengo, em 1921, no Rio de Janeiro. Em 1957, naturaliza-se brasileiro. Produz extensa obra artística, de reconhecimento público, além de publicar, em 1981, Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia, pela Editora Raízes. Ilustra livros de Gabriel García Márquez (1928), Jorge Amado (1912 – 2001) e Pierre Verger (1902 – 1996), entre outros. Faleceu no Brasil, em 02.10 1997.

 Mário Cravo Júnior - Escultor, gravador, desenhista, pintor, professor. Soteropolitano, nasceu em 13.04.1923, na Ribeira. Executa suas primeiras esculturas entre 1938 e 1943, período em que viaja pelo interior da Bahia. Realiza sua primeira exposição individual em 1947, em Salvador. Entre 1964 e 1965, passa a morar em Berlim, patrocinado pela Fundação Ford. Retorna ao Brasil em 1966, ano em que obtém o título de doutor em belas artes pela UFBA e assume o cargo de diretor do Museu de Arte da Moderna da Bahia – MAM/BA, posição que ocupou até 1967. Em 1981 coordenou a implantação do curso de especialização em gravura e escultura da Escola de Belas Artes da UFBA. Em 1994, várias de suas obras passaram a compor o acervo do Espaço Cravo, localizado no Parque Metropolitano de Pituaçu, em Salvador, onde atualmente desenvolve atividades.

 Maria Celia Amado - Artista plástica, pintora, paisagista e retratista, professora, livre docente na Escola Belas Artes, e Poetisa. Estudou pintura na Escola de Belas Artes da Bahia. Na Europa, realizou cursos de História Geral da Arte, no Museu do Louvre, e de Estética e Ciência da Arte, na Sorbonne. Executou diversos murais em São Paulo e em Salvador. O reconhecimento pelo seu trabalho lhe rendeu inúmeros prêmios como a Menção Honrosa na Bienal de São Paulo, de 1959.

Carlos Mangano - Nasceu em São Paulo, em 1921, e se tornou pintor e professor. Inicia seus estudos de pintura com Túlio Mugnaini, em São Paulo. Em 1946, concluiu o curso de Direito na Universidade de São Paulo, USP. Em 1949, viaja para a Europa, a partir de prêmio concedido pela Societé Française des Lycées Franc-Brésiliens, fixando-se no local até 1952. Mais tarde torna-se professor livre docente de pintura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ. Participa de várias exposições individuais e trabalha também como muralista, realizando afrescos para o Centro de Estudos Pedagógicos da UFRJ; o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, em Salvador (Bahia); e o Centro de Pesquisas Educacionais da USP. Faleceu em 1983. 

Jenner Augusto - Nasceu em Aracaju, em 1924, e se tornou pintor, cartazista, ilustrador, desenhista, gravador. Em 1949, realiza, gratuitamente, painéis em estilo modernista, para a decoração do Bar Cacique. Em 1949, muda-se para Salvador, e trabalha como assistente no ateliê de Mario Cravo Júnior. Nessa época, participa com Lygia Sampaio e Rubem Valentim da polêmica mostra Novos Artistas Baianos, realizada no Instituto Histórico e Geográfico da Bahia. Desenvolve na cidade alguns trabalhos plásticos, destacando-se o afresco Evolução do Homem, para o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, entre 1953 e 1954. Faleceu em Salvador, no ano de 2003. 

Carlos Bastos - Pintor, ilustrador, cenógrafo. Nasceu em Salvador, em 12.10.1925. Inicia sua formação artística na Escola de Belas-Artes da Universidade da Bahia, onde ingressa em 1944. Nesse ano, participa, ao lado de Mario Cravo Júnior e de Genaro, da 1ª Mostra de Arte Moderna da Bahia. Muda-se para o Rio de Janeiro, em 1946 e retorna a Salvador em 1947, onde organiza sua primeira individual na Biblioteca Pública. Vai para Paris, em 1949 e volta ao Brasil, em 1951. Após novo período em Paris, de 1957 a 1958, monta seu ateliê no Solar da Jaqueira em Salvador, fixando-se na cidade. Em 1962, um acidente o mantém por longo período em cadeira de rodas. Edita Santos e Anjos da Bahia, com prefácio de Jorge Amado, em 1965, momento em que uma paralisia leva-o a novo período em cadeira de rodas. Ilustra diversos livros nas décadas de 1970 e 1980. Faleceu em Salvador, no dia 12.03.2004. 

Djanira Motta e Silva - Pintora, ilustradora, desenhista e cenógrafa. Nasceu em Avaré, São Paulo, em 20.06.1914. A aproximação com as artes ocorreu no Rio de Janeiro, quando se instalou em Santa Teresa, em meados de 1930. Residiu em Nova York, entre 1945 e 1947, onde sofreu influência da pintura de Pieter Brueghel. Nesta mesma época, conheceu Fernand Léger, Joan Miró e Marc Chagall. Ao voltar ao Brasil, realiza o mural Candomblé, para a residência do escritor Jorge Amado, em Salvador, e um painel para o Liceu Municipal de Petrópolis/RJ. Profundamente religiosa, ingressa na Ordem Terceira Carmelita e em 1972 recebe do Vaticano a Medalha e Diploma da Cruz “Pro Ecclesia et Pontifice”, conferida pelo Papa Paulo VI. Djanira, aliás, foi a primeira artista latino-americana representada com obras no Museu do Vaticano, para quem ofereceu a tela “Santana de Pé”. Ela é reconhecida pela expressão autêntica brasileira em suas obras, interpretando, de maneira singela e poética, a paisagem nacional, com seus habitantes e costumes. A artista plástica faleceu no Rio de Janeiro no dia 31.05.1979.

 

Obras de arte a serem Restauradas


1. “O Ofício do Homem” – Artista: Maria Célia Amado (1921-1988)

Dimensões: 2,79m X 10,20m x 0,006m

Técnica: óleo sobre madeira

Execução: 1955

Intervenção de restauro: 1987

Localização e Ambiência: Escola Parque, no Pavilhão de Artes Industriais, hall da secretaria, no setor de trabalho


2. “A Evolução do Homem” – Artista: Carlos Magano (1921-1983)

Dimensões: 2,70m X 20,00m

Técnica: afresco

Execução: 1953 e 1954

Intervenção de restauro: sem informação de data

Localização e Ambiência: Pavilhão de Artes Industriais – hall do setor de trabalho


3. “A Evolução do Homem” – Artista: Jenner Augusto (1924-2003)

Dimensões: 2,70m X 20,00m

Técnica: afresco

Execução: 1953 e 1954

Intervenção de restauro: sem informação de data

Localização e Ambiência: Pavilhão de Artes Industriais – hall do setor de trabalho


4. “O Átomo (A Evolução do Trabalho)” – Artista: Carybé (1911-1997)

Dimensões do Painel: Altura maior – 8,20m Largura – 20,00m Espessura – 0,010m

Pé Direito do Imóvel: 12 m

Técnica: têmpera sobre madeira

Execução: 1954

Intervenção de restauro: 1987

Localização e Ambiência: Pavilhão de Artes Industriais, setor de artes plásticas, na ala masculina/setor de trabalho.


5. “A Força do Trabalho” – Artista: Mário Cravo (1923-)

Dimensões: Altura maior – 8,20m Largura – 20,00m profundidade – 0,010 m

Pé Direito do Imóvel: 12 m

Técnica: têmpera sobre madeira

Execução: 1955

Intervenção de restauro: 1987

Localização e Ambiência: Pavilhão de Artes Industriais, setor de artes plásticas, na ala feminina/setor de trabalho

Escola Classe I – no endereço: Rua Pero Vaz, n.º 148 – Liberdade


6. “Jogos Infantis” – Artista: Carlos Bastos (1925-2004)

Dimensões: 2,59m X 2,54m

Técnica: óleo sobre madeira

Execução: 1949

Localização: circulação da escola

Escola Classe II – no endereço: Rua Vitor Serra, s/n.º – Pero Vaz


7. “Panorâmica de Salvador” – Artista: Carybé (1911-1997)

Dimensões: 2,00m X 6,00m

Técnica: pintura mural, provavelmente em têmpera.

Execução: 1950

Localização: hall da escola

 

8. “Festa de São João” – Artista: Djanira Motta da Silva (1914-1979)

Dimensões: 0,90m X 0,75m

Técnica: óleo sobre tela móvel

Localização: sala da diretoria

Escola Classe III – no endereço: Rua Marques de Marica, n.º 195 – Pau Miúdo


9. “Fundo do Mar e Animais Pré-Históricos” – Artista: Mário Cravo (1923-)

Dimensões: 2,00m X 5,20m

Técnica: pintura mural

Localização: hall de acesso à sala dos professores

 

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