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“Antônio, João e Pedro – Três Faces da Fé” é a nova exposição temporária do Museu da Misericórdia

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O Museu da Misericórdia apresenta a exposição temporária Antônio, João e Pedro – Três Faces da Fé um passeio pela história, vida e iconografia dos Santos mais conhecidos do mês de junho, revisitando as tradições que envolvem seus cultos e representações. A mostra ficará em cartaz de 8 de junho a 22 de julho e conta com nove peças (quatro de São Pedro, duas de São João e três de Santo Antônio), datadas do século XVIII ao XXI, confeccionadas com diversos materiais, como madeira, gesso e metal.

 

Fé, Arte e Devoção se entrelaçam por meio de peças representativas do Barroco que se destacam pelo requinte do trabalho de composição, expresso na madeira crua ou policromada e por peças de característica popular e expressiva singularidade, feitas em gesso policromado ou resina, confeccionadas pelas mãos habilidosas de santeiros do nordeste brasileiro.

 

A riqueza iconográfica e o paralelo entre o erudito e o popular representados, só foram possíveis graças a instituições e colecionadores particulares que gentilmente cederam suas imagens para figurar ao lado de exemplares do século XVIII e XIX que compõem o acervo do Museu da Misericórdia. O Museu Abelardo Rodrigues, da Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia – Secretaria de Cultura da BA; a Brasil Açu – Arte e Artesanato, e aos colecionadores Padre Lázaro Muniz, Junot Barroso e Rodrigo Guedes que, de forma significativa, contribuem para enriquecimento desta exposição, fortalecendo o patrimônio cultural do nosso estado.

 

SANTO ANTÔNIO – 13 DE JUNHO - Nascido em 15 de agosto de 1195, na cidade de Lisboa, Portugal. Filho único de Martinho de Bulhões e Maria Teresa Taveira foi batizado com o nome de Fernando. Ao completar sete anos, foi estudar com os cônegos agostinianos e aos 19 já havia entrado para a Ordem dos Cônegos Regulares sendo ordenado sacerdote. Em 1220, ingressou na ordem dos Franciscanos. Ficando extasiado com os exemplos de São Francisco, deixou-se impregnar pelo desapego aos bens materiais, vivendo de forma simples, se dedicando a amparar o próximo. Nessa época, decidiu abandonar seu nome de batismo para adotar o nome Antônio em homenagem ao padroeiro do Conventinho de Olivais, Santo Antão, em latim Antonius. Face à eloquência dos seus sermões e seu vasto conhecimento intelectual e religioso, foi considerado Doutor da Igreja. No Brasil, as trezenas de Santo Antônio ainda são rezadas por muitas famílias que se encarregam de passar a tradição para seus descendentes. O “Santo Casamenteiro” é festejado no dia 13 de junho data da sua morte. Antônio morreu aos 36 anos, na cidade de Pádua, na Itália.

 

Simbologia

·         A fisionomia jovem significa que Antônio morreu cedo e que também conservava a jovialidade do espírito cristão.

·         Suas vestes franciscanas e o corte tonsurado no cabelo simbolizam sua opção religiosa.

·         O cordão amarrado a sua cintura possui três nós que simbolizam os seus votos perpétuos: obediência, pobreza e castidade.

·         O livro representa o Evangelho e a sabedoria de Antônio, dom pelo qual foi considerado doutor da Igreja.

·         O Menino Jesus que carrega em seus braços também pode aparecer em cima do livro fechado ou aberto, com um dos braços elevados numa atitude de abençoar ou de chamar a atenção para as palavras do Santo pregador.

·         O lírio que além de simbolizar a primavera, estação na qual Antônio morreu, reflete o sentido de pureza, castidade e pobreza.

·         A cruz representa o espírito missionário e o seu desejo de se tornar um exemplo de fé.

·         O terço significa que Antônio era um homem voltado para a oração.

·         Os pés descalços ou com sandálias são representados um mais a frente do outro, indicando marcha ou caminhada, atitudes típicas do trabalho missionário.

 

SÃO JOÃO – 24 DE JUNHO - Filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, João nasceu no dia 24 de junho na Judeia, atual Oriente Médio, no ano de 2 a. C. Seu nome significa “Deus é propício”. Segundo os escritos bíblicos seus pais já estavam em idade avançada quando o conceberam. Ainda gestante, Isabel recebeu a visita da sua prima Maria, também já grávida do Menino Jesus. O encontro entre as futuras mães ficou conhecido como a “Visitação”, momento no qual Isabel profere a seguinte expressão: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre!”. Maria e Isabel combinaram que a primeira a ter a criança acenderia uma fogueira. Por isso, a tradição de acender a fogueira ainda é presente nos festejos juninos. Ainda jovem, após a morte de seu pai, João assumiu a responsabilidade da casa e os cuidados com sua mãe. Quando Izabel faleceu se desfez dos bens materiais que possuía, iniciando sua vida de pregação. Recebeu o apelido de “Batista” porque pregava o batismo por arrependimento e a prática da penitência, batizando nas águas do Rio Jordão. João foi decapitado em 29 de agosto de 27 d. C.

 

Simbologia

·         João pode ser representado como um menino ou jovem cingido por pele de camelo ou como adulto vestido de túnica e manto.

·         A veste de pele de camelo estava associada ao caráter revelador do seu discurso, pois, o camelo é considerado um animal hostil e os homens da sua época eram hostis aos ensinamentos de Deus.

·         O cinto de couro era para lembrar a forma cruel como eram tratados os animais que transportavam cargas.

·         A túnica roxa revela a austeridade das suas palavras, o jejum e seu espírito de oração.

·         O manto vermelho simboliza a sua morte. Por ser mártir da justiça e da verdade, revelou os escândalos de Herodes e foi preso e degolado.

·         A mão direita levantada representa o gesto de pregação nas margens do rio Jordão, anunciando a chegada do Messias.

·         A concha na mão esquerda simboliza sua missão de batizador e também nos recorda que João batizou Jesus.

·         A flâmula com a inscrição em latim “Ecce Agnus Dei” está relacionada ao retorno de Jesus ao rio Jordão, depois de ter sido batizado por João. Ao vê-lo, Batista diz: “Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo”.

·         O cordeiro ou carneiro representa Jesus Cristo e seu sacrifício pela humanidade.

·         A cruz está representa a condição divina de Jesus e também associada ao seu martírio.

 

SÃO PEDRO – 29 de Junho - Simão nasceu em Betsaida, Palestina, século I a. C. Filho de Jonas e irmão de André. Ele e o irmão exerciam a profissão de pescadores no Mar da Galileia, em Israel. Seu nome de batismo é de origem hebraica e significa “aquele que ouve”. Foi Jesus quem o chamou de Pedro que quer dizer: “pedra”, “rocha”, convidando-o a segui-lo e a se tornar “pescador de homens”.  Ao se tornar discípulo de Jesus, Pedro assumiu importante papel como difusor dos seus ensinamentos, presenciando muito dos milagres por Ele realizados. Durante a perseguição dos romanos sentiu medo e negou conhecer o seu Mestre por três vezes. Segundo a tradição católica, o apostolo Pedro é considerado o primeiro Papa da Igreja e nele está representada a sua unidade. Ele foi preso em diversos momentos até que capturado pelo exército romano, foi condenado à morte na cruz. Pedro pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, pois não se considerava digno de morrer do mesmo modo que Jesus. O dia da sua festa é 29 de junho, data de sua morte e também do translado de suas relíquias para o Vaticano.

 

Simbologia

·         A fisionomia em geral é de um adulto em idade avançada com barba e cabelos fartos e olhar voltado para o alto, numa referência à sua missão de conduzir a igreja para o céu.

·         O manto azul simboliza a glória de Deus, o reino celestial.

·         A túnica vermelha está associada ao seu sofrimento e martírio por causa da fé.

·         As chaves representam a autoridade recebida de Jesus Cristo, “pois tudo que ligares na terra será ligado no céu”. A de bronze ou marrom é símbolo da sua autoridade sobre a igreja terrena. A de prata ou de cristal é símbolo do Reino dos Céus.

·         O livro significa conhecimento e ensino transmitido aos seus sucessores e as pessoas do seu tempo.

 

Núcleo de Comunicação – Ascom Dimus

Jornalista responsável: Yara Vasku (DRT-PR 2904)

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